Para os chefes de coro e coristas
Terceiro domingo após a Epifania – Abadia de Argentan – CD (1999)
Apoiem a Radio Courtoisie. Na semana passada, ouvimos a gravação histórica de um disco de 33 rotações, editado pela gravadora Decca em julho de 1971. As monjas beneditinas da abadia de Argentan foram dirigidas por Dom Joseph Gajard, numa das suas últimas gravações, antes de seu retorno a Deus, menos de um ano depois. Esta semana, continuamos com os cantores da abadia de Notre-Dame d’Argentan e o seu maestro da abadia de Solesmes para o programa com comentários, mas vamos ouvir os ficheiros de áudio dos coristas diretamente acessíveis acima, na versão mais recente que as beneditinas nos ofereceram em setembro de 1999. O disco se intitula Le Jour du Seigneur (O Dia do Senhor). Aqui está a capa abaixo. A nossa saudosa amiga Denise Lebon dirigia as monjas…
Boa audição e bom ensaio!



Domingo 25 de janeiro 2026
Domínica Tértia post Epiphániam
IIIa DOMINGO APÓS A EPIFANIA – Verde – IIa classe
Estamos agora no tempo após a Epifania, que é a prolongação do ciclo temporal do tempo de Natal. Este último continua, aliás, no ciclo santoral até 2 de fevereiro. Assim, enquanto continuamos a contemplar e adorar no presépio o Salvador recém-nascido, já meditamos sobre os ensinamentos da sua vida pública. Este tempo após a Epifania pode ter entre três e seis domingos, dependendo da data da Páscoa, mas os cantos da missa permanecem os mesmos a partir do terceiro domingo. Em alguns anos, eles são repetidos por vários domingos consecutivos. Neste ano de 2025, teremos apenas o quinto domingo após a Epifania, pois o quarto será a solenidade da Apresentação no Templo e, em seguida, chegaremos ao Tempo da Septuagésima.
O contador deste site nos mostra que muitos de vós apreciam ouvir os nossos ficheiros de áudio que disponibilizamos para que a oração cantada gratis pro Deo se espalhe. No entanto, saibam que só podemos contar com a vossa ajuda material para fazer face às nossas inevitáveis despesas (compra de discos, equipamento de áudio, informático, etc.).
O site Introibo poderá vos fornecer comentários interessantes de Dom Guéranger, Dom Baron, Dom Schuster…
No final desta página, podem aceder ao link que lhes permitirá de obter a partitura do salmo de comunhão que recomendamos de interpretar alternadamente com a antífona.

► Introito: Adorate Deum
O Introito é retirado do salmo 96 Dominus regnavit: O Senhor é Rei, cujo início reencontramos no Aleluia. Ele canta a soberania do único Deus verdadeiro sobre toda a criação e sobre todas as divindades e ídolos pagãos. Tal como na missa do domingo passado, todas as criaturas da terra são convidadas a adorá-Lo.
Adorate Deum omnes Angeli ejus : audivit et lætata est Sion : et exsultaverunt filiæ Judæ.
Adorai Deus, todos os seus anjos; Sião ouviu e se alegrou, e as filhas de Judas exultaram.
Sião, isto é, Jerusalém, as filhas de Judá, isto é, todas as cidades de Israel, é o povo eleito e, como sempre, a figura da Igreja. O que é que ela ouviu que a deixou tão alegre? É a proclamação da soberania universal de Deus: aqui, na liturgia do tempo após a Epifania, é a manifestação da divindade e da realeza do Messias que aclamamos.
A melodia começa com um grande impulso de adoração e sobe às alturas para invocar os Anjos. Depois, acalma-se e expressa uma alegria contida, mas bem afirmada. Este Introito é acompanhado, naturalmente, pelo primeiro versículo do salmo 96, que reencontraremos no Aleluia.
Dominus regnavit, exsultet terra : lætentur insulæ multæ.
O Senhor é Rei, a terra exulta, muitas ilhas se regozijam.

► Gradual: Timebunt gentes
O canto do Gradual do terceiro domingo após a Epifania é retirado do salmo 101, que é, em seu conjunto, uma grande súplica dolorosa do povo de Israel, vítima das perseguições de seus inimigos, levado em cativeiro para longe da cidade santa de Jerusalém e do templo destruído; mas também contém uma parte cheia de esperança, profetizando a vitória do Senhor sobre os seus inimigos e a reconstrução do templo.
Timebunt gentes nomen tuum, Domine, et omnes reges terræ gloriam tuam. Quoniam ædificavit Dominus Sion, et videbitur in majestate sua.
As nações temerão o vosso nome, Senhor, e todos os reis da terra temerão a vossa glória, pois o Senhor reconstruiu Sião e ali aparecerá em sua majestade.
Encontramos aqui Sião, já mencionada no Introito, a cidade santa de Jerusalém, mais uma vez, a figura da Igreja, cujo triunfo e glória Isaías já tinha anunciado no dia da Epifania, quando todos os povos e reis da terra, quer queiram quer não queiram, terão de se submeter ao reinado de Cristo Rei. A melodia retoma ainda fórmulas conhecidas que já ouvimos nos dois domingos anteriores, mas que se adaptam perfeitamente ao texto do dia, numa tonalidade de alegria muito afirmada.

Óleo sobre tela – «Cristo e o centurião» – Museu do Prado – Madrid
► Aleluia: Dominus regnavit, exsultet
No Aleluia do terceiro domingo após a Epifania, encontramos o início do salmo 96, que já figurava como versículo do Introito.
Dominus regnavit, exsultet terra : lætentur insulæ multæ.
O Senhor é Rei, a terra exulta, muitas ilhas se regozijam.
É, portanto, mais uma vez a divindade e a realeza de nosso Senhor que provocam a alegria de todos os homens, aqueles que habitam o continente e aqueles que habitam as ilhas, ou seja, todo o universo conhecido.
A melodia leve, fluida, com grandes vocalises, expressa a maravilha desta alegria. É novamente, como nos dois últimos domingos, uma melodia típica que já ouvimos, nomeadamente esta na missa da meia-noite de Natal.

► Ofertório: Dextera Domini
O Ofertório do terceiro domingo após a Epifania é um magnífico canto de ação de graças.
Dextera Domini fecit virtutem, dextera Domini exaltavit me : non moriar, sed vivam, et narrabo opera Domini.
A mão direita do Senhor exerceu o seu poder, a mão direita do Senhor me levantou, não morrerei, viverei e contarei as obras do Senhor.
Este canto será retomado durante a Semana Santa, quando será colocado na boca de Cristo. Além disso, o salmo 117, do qual ele foi extraído, é por excelência um salmo pascal amplamente utilizado na liturgia da Páscoa. É um dos grandes salmos que começam com: «Louvai o Senhor, porque Ele é bom, porque a sua misericórdia é eterna», como aquele que encontramos no Gradual do domingo passado. E aqui, mais uma vez, é a obra da Redenção pela qual a alma fiel agradece e glorifica o Senhor. Esta ação de graças termina como a do Ofertório do domingo passado com a mesma palavra narrabo, contarei tudo o que o Senhor fez por mim: mas a melodia é muito diferente da do último, que era totalmente excepcional pela sua amplitude e o seu entusiasmo. Esta é bastante solene, mas num ambiente contemplativo. Ela expressa admiravelmente os sentimentos do texto. As palavras dextera Domini, que designam a mão direita do Senhor, símbolo do seu poder, se repetem duas vezes, a primeira de forma muito solene, a segunda com uma insistência alegre e cheia de confiança. A afirmação non moriar: eu não morrerei, é proferida com uma certeza inabalável, enquanto o final narrabo opera Domini: eu contarei as obras do Senhor, desabrocha numa efusão mística e bastante suave.
► Comunhão: Mirabantur
O texto da Comunhão do terceiro domingo após a Epifania é uma passagem do Evangelho, mas não é o Evangelho do dia. É retirado do capítulo IV de São Lucas.
Mirabantur omnes de his quæ procedebant de ore Dei.
Todos ficaram maravilhados com as palavras que saíam da boca de Deus.
É claro que São Lucas não escreveu «da boca de Deus», mas simplesmente «da sua boca», a do filho de José, que acabara de falar pela primeira vez na sinagoga de Nazaré, deixando bem claro, depois de ler uma passagem de Isaías, que o Messias anunciado pelo profeta era ele. Compreende-se o espanto dos ouvintes. A liturgia modificou o texto para afirmar, neste tempo após a Epifania, que acreditamos na divindade de Jesus. Nós, que sabemos que Ele é Deus, já não sentimos espanto como os habitantes de Nazaré, mas admiração, adoração e louvor. É isso que expressa a melodia desta pequena antífona que, embora curta, é muito ornamentada e rica em neumas.
O site norte-americano Musica Sacra (cliquem sobre 1962 Missal e depois escolham a antífona) nos oferece as partituras do salmo que pode ser interpretado em alternência com essa antífona da Comunhão. É fácilmente decifrável por qualquer corista, e recomendamos vivamente aos diretores de scholas de imprimir as partituras e de as trabalhar durante os ensaios. A salmodia é o melhor meio de aprender a declamar a frase em latim, a respeitar os acentos tônicos e a pronunciar est língua litúrgica sem hesitação.
